sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Ontem fiz mais umas comprinhas de Natal. Fico sempre irritada quando vejo o dinheirão que custa meia dúzia de caixas de bombons e mais umas tretazitas! A questão é que faltam as prendas para a minha gente. Tirando a da avó, faltam todas: JL, mãe, pai, irmão, sobrinha.
Apercebi-me ontem, a ler a lista das pessoas "presenteáveis" que de ano para ano compro menos prendas e mais "lembranças". Uma variação directamente proporcional ao meu empenho com o Natal, infelizmente. Sempre foi uma quadra meio indiferente, mas desde há uns anos que perdeu de vez a graça. Apenas porque aquele mundo fantasioso de "vida como sempre a projectei" ruiu. Ainda que dê graças a Deus por isso ter acontecido, por acreditar, do fundo do meu ser, que foi o melhor que me podia acontecer, porque aprendi a amar depois e porque me arrependo profundamente de me ter tomado aquela decisão, foi o acordar de algo. Aí sim, virei adulta. E virei-me sozinha. E acredito que não me saí mal. No fim do caminho, senti-me orgulhosa de mim e vitoriosa. Mas perdeu-se algo no caminho. Pauladas da vida deixam sempre maleitas. Mesmo as que nos fazem bem, que nos empurram para a frente.
O que infimamente restava de gosto pela tradição foi-se com no primeiro ano em que se brindou "a que para o ano sejamos estes e mais um". Foi há quatro anos. E hoje em dia, já nem se brinda a isso. Mas aqui dentro, esses dias são infindáveis e custa horrores fingir que se está muito bem disposta. Não estou, estou sempre triste e chorosa. No dia em que vem a S. as coisas passam melhor, a excitação dela com as prendas, por estar com os avós e a tia ajuda. Mas também aviva a sensação de que eu talvez nunca vá passar por aquilo tudo com um filho meu. E nem dá para fugir a isso tudo, pelos meus pais, até pelo JL, que sofre por ter os pais tão longe. Por isso, lá se põe uma cara decente e um sorriso como se consegue. São só dois dias. E este ano, correndo tudo normalmente, vou estar de descanso, a ver se a coisa pega. Ainda não sei quando é a punção e a transferência, e isso está a enervar-me. Preciso de planear montes de coisas e esta incerteza não ajuda.

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